MIME-Version: 1.0 Content-Type: multipart/related; boundary="----=_NextPart_01DD5B28.BB7BDFE0" Este documento é uma Página da Web de Arquivo Único, também conhecido como Arquivo Web. Se você estiver lendo essa mensagem, o seu navegador ou editor não oferece suporte ao Arquivo Web. Baixe um navegador que ofereça suporte ao Arquivo Web. ------=_NextPart_01DD5B28.BB7BDFE0 Content-Location: file:///C:/519668CF/file1727.htm Content-Transfer-Encoding: quoted-printable Content-Type: text/html; charset="utf-8"
A
JUDICIALIZA=C3=87=C3=83O DO PEDIDO DE CONCESS=C3=83O DO MEDICAMENTO OFEV (N=
INTEDABINE)
The Judicialization of the Request for the
Concession of the Medicine Ofev (Nintedanib)
Erika Maeoka=
span>=
* 
Resumo: A presente pesquisa analisa a
pertin=C3=AAncia da judicializa=C3=A7=C3=A3o de pol=C3=ADticas p=C3=BAblica=
s de fornecimento de
medicamento OFEV (Nintedabine), utilizado pelos
pacientes portadores de Fibrose Pulmonar Idiop=C3=A1tica (FPI), de acordo c=
om a
decis=C3=A3o do Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 566471, dado q=
ue o
medicamento ainda n=C3=A3o foi incorporado =C3=A0 lista do Sistema =C3=9Ani=
co de Sa=C3=BAde. Para
tanto, examina a decis=C3=A3o do Relat=C3=B3rio n=C2=BA 419/2018 da CONITEC=
, que indeferiu o
pedido de incorpora=C3=A7=C3=A3o do medicamento OFEV (=
Nintedabine)
frente =C3=A0s diversas recomenda=C3=A7=C3=B5es emitidas pelas Ag=C3=AAncia=
s de Tecnologia em Sa=C3=BAde
estrangeiras, no intuito de avaliar a razoabilidade da demora na reavalia=
=C3=A7=C3=A3o do
pedido de incorpora=C3=A7=C3=A3o pela Ag=C3=AAncia Brasileira. Por fim, con=
clui que a
judicializa=C3=A7=C3=A3o do pedido de concess=C3=A3o do medicamento pelos p=
ortadores da
Fibrose Pulmonar Idiop=C3=A1tica (FPI) =C3=A9 apropriada, pois a postura da=
Ag=C3=AAncia
Brasileira de Tecnologia em Sa=C3=BAde encontra-se obsoleta frente =C3=A0s =
resolu=C3=A7=C3=B5es das
diversas ag=C3=AAncias estrangeiras, o que demonstra que existe a omiss=C3=
=A3o do =C3=B3rg=C3=A3o
t=C3=A9cnico na revis=C3=A3o do pedido de incorpora=C3=A7=C3=A3o do medicam=
ento em quest=C3=A3o.
Palavras-chave: judicializa=C3=A7=C3=A3o; medicamento OFEV (Nintedabine); CONITEC; Ag=C3=AAncia de Tecnologia em Sa=C3=BAde estrangeira.
Abstract: This research analyzes the relevance of
judicialization of public policies regarding the supply of the drug OFEV (<=
span
class=3DSpellE>Nintedabin), used by patients with Idiopathic Pulmona=
ry
Fibrosis (IPF), according to the decision of the Brazilian Supreme Court in=
the
judgment of RE 566471, given the fact that the drug has not yet been
incorporated into the list of the Unified Health System (SUS). To this end,=
and
in order to assess the reasonableness of the delay in the re-evaluation of =
the
incorporation request by the Brazilian Agency, it examines the decision of
CONITEC Report no. 419/2018, which rejected the request for incorporation of
the drug OFEV (Nintedabin), in light of various
recommendations issued by foreign Health Technology Agencies. Finally, it
concludes that judicialization of the matter by those suffering from Idiopa=
thic
Pulmonary Fibrosis (IPF) is appropriate for the granting of the medication,=
since
the stance of the Brazilian Health Technology Agency is obsolete in relatio=
n to
the resolutions of various foreign agencies, which demonstrates that there =
is
an omission on the part of the technical body in reviewing the request for =
the
incorporation of the medication in question.
Keywords: =
judi=
cialization;
drug OFEV (Nintedabin); CONITEC; Foreign Health
Technology Agency.=
INTRODU=C3=87=C3=83O
A
judicializa=C3=A7=C3=A3o da pol=C3=ADtica p=C3=BAblica de fornecimento de m=
edicamento tornou-se um
fato recorrente, visto que nem sempre o Sistema =C3=9Anico de Sa=C3=BAde (S=
US) atende os
usu=C3=A1rios respeitando os princ=C3=ADpios da igualdade e da universalida=
de de acesso.
Entretanto, o excessivo controle judicial tamb=C3=A9m est=C3=A1 inviabiliza=
ndo a
observ=C3=A2ncia dos mesmos princ=C3=ADpios. Dessa forma, para equalizar as=
demandas,
restou ao Poder Judici=C3=A1rio estipular certos par=C3=A2metros para tanto=
.
Assim, de um
lado, frente aos limites or=C3=A7ament=C3=A1rios e, de outro lado, visando =
a respeitar as
diretrizes que balizam o acesso aos recursos do Sistema =C3=9Anico de Sa=C3=
=BAde (SUS), o
Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 566471, estabeleceu determina=
dos
requisitos para o fornecimento de medicamento via decis=C3=A3o judicial, de=
vido =C3=A0
necessidade de estipular as pol=C3=ADticas e os par=C3=A2metros que observe=
m o princ=C3=ADpio
da igualdade.
Segundo a
decis=C3=A3o, a concess=C3=A3o de medicamentos pela via judicial dever=C3=
=A1 estar
fundamentada em avalia=C3=A7=C3=A3o t=C3=A9cnica baseada em evid=C3=AAncias=
, dado que os =C3=B3rg=C3=A3os
t=C3=A9cnicos =C3=A9 que s=C3=A3o dotados de conhecimentos especializados p=
ara julgar a
efic=C3=A1cia e a seguran=C3=A7a, bem como o custo-efetividade do medicamen=
to.
Com efeito,=
o
Supremo Tribunal Federal formulou a Tese de Repercuss=C3=A3o Geral, cuja re=
gra geral
=C3=A9 a inexigibilidade do fornecimento dos medicamentos n=C3=A3o constant=
es nas listas
de dispensa=C3=A7=C3=A3o do Sistema =C3=9Anico de Sa=C3=BAde. Contudo, a co=
ncess=C3=A3o excepcional =C3=A9
poss=C3=ADvel desde que preenchidas determinadas condi=C3=A7=C3=B5es.
Dentre os
requisitos, enumera a exist=C3=AAncia de ilegalidade do ato de n=C3=A3o inc=
orpora=C3=A7=C3=A3o do
medicamento pelo =C3=B3rg=C3=A3o t=C3=A9cnico, aus=C3=AAncia de pedido de i=
ncorpora=C3=A7=C3=A3o ou da mora
na sua aprecia=C3=A7=C3=A3o, tendo em vista os prazos e crit=C3=A9rios prev=
istos nos artigos
19-Q e 19-R da Lei n=C2=BA 8.080/1990 e no Decreto n=C2=BA 7.646/2011.
Por outro l=
ado,
exige do julgador, sob pena de nulidade, que a decis=C3=A3o seja devidamente
fundamentada de acordo com o artigo 489, =C2=A7 1=C2=BA, incisos V e VI, e =
artigo 927,
inciso III, =C2=A7 1=C2=BA, do C=C3=B3digo de Processo Civil, ao julgar o p=
edido de concess=C3=A3o
de medicamentos n=C3=A3o incorporados, devendo obrigatoriamente: (a) analis=
ar o ato
administrativo comissivo ou omissivo de n=C3=A3o incorpora=C3=A7=C3=A3o pel=
a CONITEC ou da
negativa de fornecimento da via administrativa, =C3=A0 luz das circunst=C3=
=A2ncias do
caso concreto e da legisla=C3=A7=C3=A3o de reg=C3=AAncia, especialmente a p=
ol=C3=ADtica p=C3=BAblica do
SUS, n=C3=A3o sendo poss=C3=ADvel a incurs=C3=A3o no m=C3=A9rito do ato adm=
inistrativo.
Dentre as
v=C3=A1rias demandas envolvendo o direito =C3=A0 sa=C3=BAde, existem os ple=
itos dos pacientes
que sofrem da Fibrose Pulmonar Idiop=C3=A1tica (FPI), uma vez que o Sistema=
=C3=9Anico de
Sa=C3=BAde (SUS) n=C3=A3o oferece nenhuma alternativa de tratamento, pois n=
=C3=A3o existe,
junto ao Minist=C3=A9rio da Sa=C3=BAde, o Protocolo Cl=C3=ADnico e Diretriz=
Terap=C3=AAutica (PCDT)
para a doen=C3=A7a. Assim sendo, o presente trabalho prop=C3=B5e analisar s=
e existem
elementos suficientes para fundamentar o pedido de concess=C3=A3o judicial =
do
medicamento OFEV (Nintedabine) =C3=A0 luz da de=
cis=C3=A3o do
Supremo Tribunal Federal estabelecida no julgamento do RE 566471.
A pesquisa
parte do princ=C3=ADpio de que a natureza das demandas envolvendo a concess=
=C3=A3o de
medicamento tem como alicerce o questionamento da exist=C3=AAncia de defici=
=C3=AAncia no
gerenciamento da pol=C3=ADtica p=C3=BAblica de sa=C3=BAde e, no caso em esp=
ec=C3=ADfico, a falha no
processo de distribui=C3=A7=C3=A3o dos medicamentos. Desse modo, prop=C3=B5=
e investigar se
existem poss=C3=ADveis limita=C3=A7=C3=B5es question=C3=A1veis na pol=C3=AD=
tica brasileira, que exclui o
seguimento em quest=C3=A3o dos cuidados oferecidos pelo Sistema =C3=9Anico =
de Sa=C3=BAde
(SUS).
Para tanto,
pretende estudar a decis=C3=A3o exarada no Relat=C3=B3rio n=C2=BA 419/2018,=
que examinou o
pedido de incorpora=C3=A7=C3=A3o do medicamento, em conjunto com a postura =
das diversas
Ag=C3=AAncias de Tecnologia em Sa=C3=BAde (ATS) estrangeiras, a fim de conf=
rontar as
diretrizes que conduzem as pol=C3=ADticas p=C3=BAblicas estrangeiras e a po=
l=C3=ADtica p=C3=BAblica
brasileira de distribui=C3=A7=C3=A3o de medicamentos, para estimar o n=C3=
=ADvel de pertin=C3=AAncia
da decis=C3=A3o da Ag=C3=AAncia nacional, sob a perspectiva comparada entre=
os seus
pares.
Sendo assim=
, em
s=C3=ADntese, o presente estudo tem como meta investigar a exist=C3=AAncia =
de requisitos
para a judicializa=C3=A7=C3=A3o do pedido da citada tecnologia, de acordo c=
om a decis=C3=A3o
do Supremo Tribunal Federal, que permite a concess=C3=A3o judicial de medic=
amentos
n=C3=A3o listados pelo Sistema =C3=9Anico de Sa=C3=BAde (SUS), com fundamen=
to na falta de uma
nova avalia=C3=A7=C3=A3o em tempo oportuno.
1 A JUDICIALIZA=C3=87=C3=83O DO PEDIDO DE CONCESS=C3=83O D=
O MEDICAMENTO OFEV
(NINTEDABINE)
Como mencio=
nado
em notas introdut=C3=B3rias, o grupo de pessoas acometido pela doen=C3=A7a =
em apre=C3=A7o, que
=C3=A9 estimado entre 13 a 18 mil casos no Brasi=
l (Brasil, 2025a), n=C3=A3o disp=C3=B5e, no presente momento, de=
nenhum
tratamento voltado =C3=A0 respectiva enfermidade. Entretanto, de acordo com=
as
Diretrizes Brasileiras para o Tratamento Farmacol=C3=B3gico da Fibrose Pulm=
onar
Idiop=C3=A1tica, existe uma =C3=BAnica classe de medicamento que foi desenv=
olvida para o
tratamento, que s=C3=A3o os antifibr=C3=B3ticos=
: um deles =C3=A9 o
OFEV (Nintedabine) e o outro =C3=A9 o Pirfenidone
(Amaral; Kairalla; Colares, 2023).
A FPI =C3=A9 classifi=
cada como
uma doen=C3=A7a rara, que se enquadra nos par=C3=A2metros da Portaria n=C2=
=BA 199, de 30 de
janeiro de 2014, que instituiu a Pol=C3=ADtica Nacional de Aten=C3=A7=C3=A3=
o Integral =C3=A0s
Pessoas com Doen=C3=A7as Raras, e que no seu artigo 3=C2=BA disp=C3=B5e que=
: =E2=80=9Cconsidera-se
doen=C3=A7a rara aquela que afeta at=C3=A9 65 pessoas em cada 100.000 indiv=
=C3=ADduos, ou
seja, 1,3 pessoas para cada 2.000 indiv=C3=ADduos=E2=80=9D.=
Os dois
medicamentos avaliados pela CONITEC em 2018, Relat=C3=B3rios n=C2=BA 419/20=
18 e n=C2=BA
420/2018, e receberam pareceres contr=C3=A1rios aos respectivos pedidos de
incorpora=C3=A7=C3=A3o, motivo pelo qual os pacientes em quest=C3=A3o est=
=C3=A3o demandando os
medicamentos judicialmente (Brasil, 2018a; Bras=
il, 2018b).
Em virtude =
da
n=C3=A3o recomenda=C3=A7=C3=A3o, os dados estat=C3=ADsticos do Sistema
Ainda que u=
ma
parte dos interessados venha obtendo =C3=AAxito nas suas demandas[1]=
, essa n=C3=A3o =C3=A9 a realidade para todos os =
demais, que veem
seus pedidos negados com base no custo-efetividade do medicamento, que =C3=
=A9
diuturnamente questionado sem maiores considera=C3=A7=C3=B5es, mesmo que a =
doen=C3=A7a seja
rara e o medicamento seja =C3=B3rf=C3=A3o. Portanto existem diverg=C3=AAnci=
as jurisprudenciais
acerca da quest=C3=A3o, e os julgados contr=C3=A1rios =C3=A0 causa muitas v=
ezes s=C3=A3o embasados
na decis=C3=A3o de n=C3=A3o recomenda=C3=A7=C3=A3o em an=C3=A1lise.
Ocorre que o
recente par=C3=A2metro fixado pelo Supremo Tribunal Federal (RE 566471), que
condicionou como regra geral a incorpora=C3=A7=C3=A3o do medicamento =C3=A0=
lista do RENAME, =C3=A9
um divisor de =C3=A1guas para as demandas envolvendo a concess=C3=A3o de me=
dicamento (Brasil,
2024). A nova regra geral trouxe desafios ainda mais severos aos demandante=
s,
que passaram a carregar o =C3=B4nus de questionar, com =C3=AAxito, o ato ad=
ministrativo
comissivo ou omisso de n=C3=A3o recomenda=C3=A7=C3=A3o. Sem tal questioname=
nto as demandas
est=C3=A3o fadadas ao insucesso.[2]=
Em s=C3=ADn=
tese, o
grupo sob an=C3=A1lise n=C3=A3o conta com nenhum tratamento fornecido pelo =
Estado, mas
existe uma =C3=BAnica classe de medicamento com efic=C3=A1cia comprovada ci=
entificamente,
que passou pela avalia=C3=A7=C3=A3o da ag=C3=AAncia e n=C3=A3o foi recomend=
ada. Os que necessitam
do tratamento precisam, em vista da negativa, judicializar a causa. N=C3=A3o
obstante, devido =C3=A0s exig=C3=AAncias decorrentes da delibera=C3=A7=C3=
=A3o tomada no RE 566471,
resta aos pacientes o desafio de comprovar que existem fundamentos suficien=
tes
para que a atual decis=C3=A3o seja revista, e o medicamento, incorporado.
<= o:p>
<=
b>2 A CONITEC E O
POSICIONAMENTO DAS AG=C3=8ANCIAS DE TECNOLOGIA EM SA=C3=9ADE ESTRANGEIRAS=
span>
A decis=C3=
=A3o de
n=C3=A3o incorpora=C3=A7=C3=A3o de determinado medicamento no programa de f=
ornecimento est=C3=A1
inserida no contexto da pol=C3=ADtica p=C3=BAblica de distribui=C3=A7=C3=A3=
o adotada pelo Estado
Brasileiro. Dessarte, para fundamentar a necessidade da atualiza=C3=A7=C3=
=A3o da decis=C3=A3o
inicial de n=C3=A3o recomenda=C3=A7=C3=A3o, o estudo prop=C3=B5e a compara=
=C3=A7=C3=A3o da pol=C3=ADtica p=C3=BAblica
brasileira, que permanece estagnada desde 2018, com os avan=C3=A7os obtidos=
pelas
pol=C3=ADticas estrangeiras.
A an=C3=A1l=
ise
t=C3=A9cnica sobre a viabilidade de introduzir os medicamentos que comp=C3=
=B5em a lista
do Sistema =C3=9Anico de Sa=C3=BAde =C3=A9 efetuada no =C3=A2mbito brasilei=
ro pela CONITEC. Assim,
o medicamento OFEV (Nintedabine) foi avaliado e=
m 2018
e n=C3=A3o foi recomendado, apesar de n=C3=A3o existir nenhum outro tratame=
nto dispon=C3=ADvel
para al=C3=A9m das medidas paliativas, pois segundo o relat=C3=B3rio:
[...] o
Minist=C3=A9rio da Sa=C3=BAde do Brasil n=C3=A3o possui Protocolo Cl=C3=ADn=
ico e Diretrizes
Terap=C3=AAuticas (PCDT) para tratamento da FPI. Atualmente, os tratamentos
dispon=C3=ADveis no SUS s=C3=A3o antituss=C3=ADgenos, morfina, corticoterapia,
oxigenoterapia, todos paliativos e transplante de pulm=C3=A3o=E2=80=9D, a s=
ua incorpora=C3=A7=C3=A3o
n=C3=A3o foi recomendada pela Ag=C3=AAncia Brasileira de acordo com o Relat=
=C3=B3rio n=C2=BA
419/2018. (Brasil, 2018a, p. 39)
A ag=C3=AAn=
cia
brasileira, que, nas suas avalia=C3=A7=C3=B5es, costuma mencionar os posici=
onamentos de
outras estrangeiras,=C2=A0 no Relat=
=C3=B3rio n=C2=BA
419/2018, elegeu 5 (cinco) como refer=C3=AAncia, ou seja, a National Institute for Health and
Care Excellence=
(NICE),
do Reino Unido; a Canadian Agency for Drugs &
Technologies in Health (CADTH), do Canad=C3=A1; a Pharmaceutical Benefits Advisory Committee (PBAC), da Austr=C3=A1lia; a Scottish Medicines Consortium (SMS), da Esc=C3=B3cia; e a Autor=
idade
Nacional do Medicamento e Produtos de Sa=C3=BAde (INFARMED), de Portugal, q=
ue, ao
contr=C3=A1rio do Estado brasileiro, incorporaram o medicamento em quest=C3=
=A3o (Brasil, 2018a).
A ag=C3=AAn=
cia National Institute=
for
Health and Care
Em 2021, pa= ssou inclusive a ampliar a recomenda=C3=A7=C3=A3o do uso do medicamento para o t= ratamento da doen=C3=A7a pulmonar intersticial fibrosante progressiva, afirmando, no rel= at=C3=B3rio NICE/2021, que as estimativas de custo-efetividade estar=C3=A3o dentro do q= ue o instituto considera um uso aceit=C3=A1vel dos recursos no =C3=A2mbito do Re= ino Unido e das diretrizes para a respectiva implementa=C3=A7=C3=A3o (Reino Unido, 2021). <= o:p>
Na sequ=C3=
=AAncia,
em 2023, por meio da recomenda=C3=A7=C3=A3o NICE/2023, novamente a pol=C3=
=ADtica foi ampliada
com a inclus=C3=A3o dos portadores FPI com capacidade vital for=C3=A7ada ac=
ima de 80%,
com a mesma afirma=C3=A7=C3=A3o anterior de que considera o custo-efetivida=
de adequado
(Reino Unido, 2023).
N=C3=A3o ob=
stante, a
consolida=C3=A7=C3=A3o do programa foi condicionada =C3=A0 redu=C3=A7=C3=A3=
o do pre=C3=A7o do medicamento e,
uma vez preenchidas as condi=C3=A7=C3=B5es, foi concretizada a efetiva impl=
ementa=C3=A7=C3=A3o do
benef=C3=ADcio. As recomenda=C3=A7=C3=B5es da National Institute for Health and =
Care Excellence NICE/=
2021 e
NICE/2023 informam que o Reino Unido tem um acordo comercial com a empresa
fornecedora, o que permite um desconto na aquisi=C3=A7=C3=A3o (Reino Unido,=
2021; Reino
Unido, 2023).
J=C3=A1 a a=
g=C3=AAncia
canadense Canadian Agency
for Drugs & Technologies in Health (CAD=
TH),
igualmente bastante mencionada nos relat=C3=B3rios, nas decis=C3=B5es judic=
iais, nos
laudos periciais e nas notas t=C3=A9cnicas, em 2015, embora tivesse recomen=
dado o
uso, n=C3=A3o havia ainda aprovado o seu reembolso completo, dado que a ag=
=C3=AAncia
realiza somente a recomenda=C3=A7=C3=A3o, que foi condicionada =C3=A0 redu=
=C3=A7=C3=A3o do custo
(Canad=C3=A1, 2015). Em 2021, o uso foi ampliado, pois foi recomendado tamb=
=C3=A9m para o
tratamento da doen=C3=A7a pulmonar intersticial fibrosante progressiva.=C2=A0 Com isso, o programa de reembolso =
foi
expandido (Canad=C3=A1, 2021).
As negocia=
=C3=A7=C3=B5es
junto ao fabricante s=C3=A3o efetuadas pela Pan-Canadian
Pharmaceutical Alliance (pCPA), que finaliz=
ou as
tratativas mediante acordo de redu=C3=A7=C3=A3o do pre=C3=A7o. Assim, houve=
a reavalia=C3=A7=C3=A3o da
recomenda=C3=A7=C3=A3o em rela=C3=A7=C3=A3o =C3=A0 FPI, e hoje o medicament=
o =C3=A9 completamente
reembols=C3=A1vel (Canad=C3=A1, 2016).
Por sua vez=
, a
ag=C3=AAncia da Austr=C3=A1lia, Pha=
rmaceutical Benefits Advisory Committee
(PBAC), em 2016, j=C3=A1 havia incorporado a tecnologia no programa somente=
para o
tratamento da FIP (Austr=C3=A1lia, 2016). Ao longo do ciclo seguinte, em 20=
22,
seguindo a trajet=C3=B3ria do Canad=C3=A1 e do Reino Unido, ampliou o rol, =
que passou a
beneficiar, igualmente, os portadores da doen=C3=A7a pulmonar intersticial
fibrosante progressiva (Austr=C3=A1lia, 2022).
Na mesma li=
nha,
a ag=C3=AAncia da Esc=C3=B3cia, Sco=
ttish Medicines
Consortium (SMS), em 2015, recomendou o uso para o tratamento da FPI
(Esc=C3=B3cia, 2015). Em 2021, tamb=C3=A9m ampliou a disponibilidade para o=
tratamento da
doen=C3=A7a pulmonar intersticial fibrosante progressiva, vencendo o proble=
ma do
custo do medicamento por meio de um acordo comercial para redu=C3=A7=C3=A3o=
do valor
(Esc=C3=B3cia, 2021).
Dando
continuidade, em 2023, ocorreu mais um avan=C3=A7o na pol=C3=ADtica, pois a=
ag=C3=AAncia
efetuou uma nova avalia=C3=A7=C3=A3o e incluiu a recomenda=C3=A7=C3=A3o de =
uso para o tratamento da
FPI voltado aos pacientes com capacidade vital for=C3=A7ada acima de 80% e =
afirmou,
ainda, que, levando-se em considera=C3=A7=C3=A3o a natureza do medicamento,=
entendeu que
=C3=A9 aceit=C3=A1vel uma maior incerteza econ=C3=B4mica (Esc=C3=B3cia, 202=
3).
Por fim, a
ag=C3=AAncia de Portugal, Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de =
Sa=C3=BAde, em
2017, recomendou o uso hospitalar, via financiamento p=C3=BAblico, para o t=
ratamento
da FPI (Portugal, 2017a). No mesmo ano de 2017,=
o
medicamento passou a integrar a lista de medicamentos subsidiados via
coparticipa=C3=A7=C3=A3o dos usu=C3=A1rios para o tratamento da FPI (Portug=
al, 2017b). J=C3=A1 em 2022, ampliou o uso em ambiente ho=
spitalar
para o tratamento da doen=C3=A7a pulmonar intersticial fibrosante progressi=
va
(Portugal, 2022).
Al=C3=A9m d=
as j=C3=A1
mencionadas, existem outros v=C3=A1rios exemplos que incorporam o f=C3=A1rm=
aco, como as
ag=C3=AAncias: Institut National
D'excellence en San=
t=C3=A9 et en Services Sociaux (=
INESSS),
de Queb=C3=A9c, em 2017 (Canad=C3=A1, 2017); Institut f=C3=BCr=
Qualit=C3=A4t und Wirtschaftlichkeit
im Gesundheitswesen=
(IQWiG), da
Alemanha, em 2015 (Alemanha, 2015); Austrian Institute For Health Technology Assessment (=
AIHTA), da =C3=81ustria, em 2015 (=C3=81ustria, 2015);=
Institut National=
D'assurance Maladie-Invali=
dit=C3=A9
(INAMI), da B=C3=A9lgica, em 2016 (B=C3=A9lgica=
, 2016); Hrvatski zavod Nederland (ZIN), da
Holanda, em 2015 (Holanda, 2015); Nemzeti N=C3=A9peg=C3=A9=
szs=C3=A9g=C3=BCgyi
=C3=A9s Gy=C3=B3gyszer=C3=A9szeti K=C3=B6zpont (NNGYK), da
Hungria, em 2016 (Hungria, 2016); H=
ealth
Service Executive (NCPE), da Irlanda, em 20=
17
(Irlanda, 2017); Agenzia Italiana Del Far=
maco
(AIFA), <=
/span>da
It=C3=A1lia, em 2016 (It=C3=A1lia, 2016); Pharmaceuticals =
and Medical Devices Agency (PMDA), =
do
Jap=C3=A3o, em 2015 (Jap=C3=A3o, 2015); Conseil
Scientifique de Sant=C3=A9=
(CNS), de
Luxemburgo, em 2015 (Luxemburgo, 2026); Norwegian
Medical Products Agency
(NOMA),
da Noruega, em 2016 (Noruega, 2016); Pharmacology
Ademais, o
estudo, que realizou a pesquisa entre os pa=C3=ADses da regi=C3=A3o =C3=81s=
ia-Pac=C3=ADfico,
verificou que pa=C3=ADses como a Mal=C3=A1sia, Singapura, a Tail=C3=A2ndia,=
Hong Kong e a
Cor=C3=A9ia do Sul tamb=C3=A9m recomendaram e passaram a fornecer o medicam=
ento em
quest=C3=A3o (Chua et
al., 2025).
A aprecia=
=C3=A7=C3=A3o
dos posicionamentos adotados pelas ag=C3=AAncias selecionadas como par=C3=
=A2metro indica
que os Estados n=C3=A3o s=C3=B3 recomendaram, mas, na sequ=C3=AAncia, ampli=
am o uso incluindo
os pacientes da FPI com capacidade vital for=C3=A7ada acima de 80% e estend=
em tamb=C3=A9m
a recomenda=C3=A7=C3=A3o para o tratamento da doen=C3=A7a pulmonar intersti=
cial fibrosante
progressiva, e os demais referenciais, selecionados no =C3=A2mbito desse es=
tudo,
indicam que diversos outros pa=C3=ADses tamb=C3=A9m deferiram o uso entre 2=
015, 2016 e
2017, reafirmada a decis=C3=A3o.
Assim sendo,
enquanto o Estado brasileiro manteve-se inerte, o mapeamento indica os avan=
=C3=A7os
nas pol=C3=ADticas de concess=C3=B5es pelos pa=C3=ADses utilizados como nor=
te pelo =C3=B3rg=C3=A3o
nacional, e a inclus=C3=A3o da tecnologia por outros v=C3=A1rios pa=C3=ADse=
s molda a discuss=C3=A3o
acerca do reconhecimento da evid=C3=AAncia dos benef=C3=ADcios do medicamen=
to em quest=C3=A3o.
Isso porque=
=C3=A9
pouco prov=C3=A1vel que v=C3=A1rios pa=C3=ADses adotassem, conjuntamente, u=
ma pol=C3=ADtica p=C3=BAblica
de sa=C3=BAde temer=C3=A1ria. Dessarte, pela pr=C3=B3pria l=C3=B3gica dos f=
atos apresentados, a
necessidade da revis=C3=A3o do relat=C3=B3rio da ag=C3=AAncia nacional most=
ra-se
significativamente mais veross=C3=ADmil do que a exist=C3=AAncia de equ=C3=
=ADvoco coletivo por
parte das demais ag=C3=AAncias estrangeiras.
<=
span
style=3D'mso-bidi-font-weight:bold'>
3 A AVALIA=C3=87=C3=83O DA EVID=C3=8ANCIA CIENT=C3=8DFICA E CUS=
TO-EFETIVIDADE PELAS
AG=C3=8ANCIAS DE TECNOLOGIA EM SA=C3=9ADE ESTRANGEIRAS=C2=A0
<=
b>
A negativa =
do
pedido de concess=C3=A3o judicial do f=C3=A1rmaco fundamenta-se no baixo n=
=C3=ADvel de
evid=C3=AAncia cient=C3=ADfica e na incompatibilidade de custo-efetividade =
frente =C3=A0s
diretrizes or=C3=A7ament=C3=A1rias. Tanto a falta de evid=C3=AAncia como a =
aus=C3=AAncia de
custo-efetividade s=C3=A3o baseadas, principalmente, no Relat=C3=B3rio n=C2=
=BA 419/2018, bem
como refor=C3=A7adas com base no condicionamento =C3=A0 redu=C3=A7=C3=A3o d=
o custo imposto por
alguns pa=C3=ADses, notadamente com fundamento nas decis=C3=B5es do Canad=
=C3=A1 e do Reino
Unido.
Ocorre que o
condicionamento do fornecimento =C3=A0 redu=C3=A7=C3=A3o dos valores impost=
os pelo Reino Unido
e pelo Canad=C3=A1 ainda =C3=A9 diuturnamente mencionado nas decis=C3=B5es =
judiciais, laudos
periciais e, principalmente, em notas t=C3=A9cnicas, com a pretens=C3=A3o d=
e refor=C3=A7ar a
decis=C3=A3o contr=C3=A1ria ao fornecimento. Como, por exemplo, a Nota T=C3=
=A9cnica n=C2=BA 3090 do
Distrito Federal (2024, p. 18), emitida pelo Natjus
que faz refer=C3=AAncia =C3=A0 ag=C3=AAncia National Institute for Health and =
Care Excellence ao me=
ncionar
que as concess=C3=B5es =E2=80=9Cs=C3=A3o condicionadas =C3=A0 redu=C3=A7=C3=
=A3o no custo de tais medicamentos=E2=80=9D.
Todavia, os acordos comerciais realizados e as amplia=C3=A7=C3=B5es das con=
cess=C3=B5es de uso
s=C3=A3o sempre omitidos.
As leituras=
das
recomenda=C3=A7=C3=B5es iniciais de algumas ag=C3=AAncias de fato mostram q=
ue o deferimento do
tratamento estava atrelado =C3=A0 redu=C3=A7=C3=A3o dos valores, devido ao =
alto custo do
medicamento. Entretanto, a restri=C3=A7=C3=A3o j=C3=A1 foi resolvida median=
te acordos
comerciais com o respectivo laborat=C3=B3rio, a exemplo do Reino Unido, da =
Esc=C3=B3cia,
da Austr=C3=A1lia e do Canad=C3=A1 (Reino Unido, 2016; Esc=C3=B3cia, 2021; =
Austr=C3=A1lia, 2016;
Canad=C3=A1, 2016).
Sendo assim=
, a
men=C3=A7=C3=A3o do acordo de redu=C3=A7=C3=A3o de pre=C3=A7o, sem levar em=
considera=C3=A7=C3=A3o um contexto
mais amplo da pol=C3=ADtica adotada por cada Estado, pode levar a equ=C3=AD=
vocos na
interpreta=C3=A7=C3=A3o da cl=C3=A1usula, como sendo uma circunst=C3=A2ncia=
desfavor=C3=A1vel, quando na
verdade a condi=C3=A7=C3=A3o =C3=A9 que possibilitou a incorpora=C3=A7=C3=
=A3o dos medicamentos de alto
custo nesses Estados.
O caso da
Irlanda =C3=A9 um exemplo claro dos efeitos positivos da exig=C3=AAncia da =
redu=C3=A7=C3=A3o de
custo, mesmo a ag=C3=AAncia <=
span
class=3DSpellE>National Centre for Pharmacoeconomics (NCPE) entendendo que o custo-efetividade =
n=C3=A3o
era apropriado no pre=C3=A7o original (Irlanda, 2016). Entretanto, o =C3=B3=
rg=C3=A3o executivo
Health Serv=
ice Executive incluiu o f=C3=A1=
rmaco posteriormente na lista de
medicamentos reembols=C3=A1veis mediante acordo comercial (Irlanda, 2017). =
O =C3=AAxit=
o das
tratativas comerciais no estrangeiro indica que o Estado Brasileiro n=C3=A3=
o envidou
esfor=C3=A7os suficientes para negociar a redu=C3=A7=C3=A3o do pre=C3=A7o, =
que teria inclusive
vantagem devido ao fato da soma da popula=C3=A7=C3=A3o do Reino Unido englo=
bada pela National Institute=
for
Health and Care
Al=C3=A9m d=
isso, a
rela=C3=A7=C3=A3o dos pa=C3=ADses que passaram a custear o medicamento sina=
liza tamb=C3=A9m que n=C3=A3o
somente as grandes economias mundiais, mencionadas com frequ=C3=AAncia, com=
o o Reino
Unido e o Canad=C3=A1, mas diversos outros pa=C3=ADses com dota=C3=A7=C3=B5=
es or=C3=A7ament=C3=A1rias
menores, quando comparados com o Estado brasileiro, igualmente incorporam a
tecnologia. Esse fato enfraquece a tese da aus=C3=AAncia de custo-efetivida=
de, dado
que esse indicador =C3=A9 medido levando-se em conta a dimens=C3=A3o econ=
=C3=B4mica dos
Estados.
Outrossim,
ainda cabe lembrar que os medicamentos voltados ao tratamento de doen=C3=A7=
as raras
dificilmente ser=C3=A3o custo-efetivo quando comparados aos medicamentos em=
geral,
em raz=C3=A3o do mercado restrito, por isso a avalia=C3=A7=C3=A3o deve obse=
rvar a natureza da
doen=C3=A7a em tela, que =C3=A9 a particularidade que fundamenta a flexibil=
iza=C3=A7=C3=A3o dos
crit=C3=A9rios para o deferimento.
J=C3=A1 em rela=C3=A7=C3=A3o aos ob=
st=C3=A1culos
relacionados =C3=A0s incerteza=
s,
caracter=C3=ADsticas dos medicamentos voltados =C3=A0s doen=C3=A7as raras, =
houve a
recomenda=C3=A7=C3=A3o da incorpora=C3=A7=C3=A3o mediante o acordo de geren=
ciamento de riscos, como
o Jap=C3=A3o (Market Expansion
Repricing System), a It=C3=A1lia (Payment-by-Result), o Reino=
Unido
(Patient=
span> Access Schemes=
span> with a Stopping Rule=
i>), e a
Fran=C3=A7a (Accord Prix-Volume/=
M=C3=A9dicament
d'exception) (Jap=C3=A3o, 2015; It=C3=A1lia, 2024; R=
eino Unido,
2016; Fran=C3=A7a, 2016).
Al=C3=A9m disso, as ag=C3=AAncias, =
tais como a do
Reino Unido, da Austr=C3=A1lia, do Canad=C3=A1, da Esc=C3=B3cia ou da Alema=
nha atribu=C3=ADram
relev=C3=A2ncia no momento da decis=C3=A3o =C3=A0 gravidade da doen=C3=A7a =
(Severity=
span> Modifie/End-of-Life
Criteria=
) e
=C3=A0 falta de alternativas para decidirem pela recomenda=C3=A7=C3=A3o (Au=
str=C3=A1lia, 2016;
Canad=C3=A1, 2016; Esc=C3=B3cia, 2015; Alemanha, 2015).
Portanto,
nota-se que v=C3=A1rias ag=C3=AAncias sopesaram a raridade/gravidade da doe=
n=C3=A7a para
aprovarem o medicamento diante da aus=C3=AAncia de outros tratamentos. Entr=
etanto,
segue-se que as decis=C3=B5es que negam o fornecimento do medicamento usam =
como
fundamento o baixo n=C3=ADvel de evid=C3=AAncia cient=C3=ADfica, sem levar =
em considera=C3=A7=C3=A3o que
os medicamentos voltados =C3=A0s doen=C3=A7as raras na maioria dos casos n=
=C3=A3o alcan=C3=A7am a
alta evid=C3=AAncia cient=C3=ADfica pela sua pr=C3=B3pria natureza, pois ex=
iste a dificuldade
na realiza=C3=A7=C3=A3o de ensaios cl=C3=ADnicos em larga escala devido =C3=
=A0 popula=C3=A7=C3=A3o pequena.
Assim sendo=
, a
l=C3=B3gica que permitiu a concess=C3=A3o nos pa=C3=ADses estrangeiros, con=
forme Federhen et al. (2014), teve em mente que a
realiza=C3=A7=C3=A3o de ensaios cl=C3=ADnicos com a dura=C3=A7=C3=A3o e o n=
=C3=BAmero suficientes de
pacientes no mesmo padr=C3=A3o das doen=C3=A7as de preval=C3=AAncia maior =
=C3=A9 impratic=C3=A1vel nas
doen=C3=A7as raras. Ademais, na maioria das vezes, n=C3=A3o existe outro me=
dicamento
similar para fins de compara=C3=A7=C3=A3o, sem contar que os custos dos med=
icamentos s=C3=A3o
altos quando comparados com os medicamentos convencionais, pois os gastos s=
=C3=A3o
dilu=C3=ADdos entre uma popula=C3=A7=C3=A3o menor, por isso =C3=A9 pouco pr=
ov=C3=A1vel que o medicamento
para doen=C3=A7as raras seja custo-efetivo.
Desse modo,=
a
an=C3=A1lise das decis=C3=B5es estrangeiras na implementa=C3=A7=C3=A3o da p=
ol=C3=ADtica de distribui=C3=A7=C3=A3o
da tecnologia mostra que o entrave inicial do custo do medicamento foi romp=
ido
mediante acordos comerciais. J=C3=A1 o empecilho decorrente das incertezas,
inerentes ao tratamento de doen=C3=A7as raras, foi minimizado mediante acor=
do de
gerenciamento de riscos e, principalmente, foram levadas em considera=C3=A7=
=C3=A3o a
gravidade da doen=C3=A7a e a falta de alternativas, o que assinala os esfor=
=C3=A7os dos
Estados estrangeiros no intuito de integrar o medicamento =C3=A0s respectiv=
as
pol=C3=ADticas.
O ministro
Gilmar Mendes julgou pela proced=C3=AAncia do pedido do medicamento Zolgensma para a faixa et=C3=A1ria diferente da recom=
endada pela
CONITEC, ao fundamentar que:
[...] Dev=
ido =C3=A0
raridade e complexidade dessas condi=C3=A7=C3=B5es, na maioria das vezes h=
=C3=A1 escassez de
tratamentos dispon=C3=ADveis e cada op=C3=A7=C3=A3o terap=C3=AAutica repres=
enta uma esperan=C3=A7a
significativa para os pacientes e suas fam=C3=ADlias. Estudos cient=C3=ADfi=
cos de alto n=C3=ADvel de evid=C3=AAncia devem ser sazonalmente re=
visitados pelo
=C3=B3rg=C3=A3o de recomenda=C3=A7=C3=A3o, sob pena de engessamento e obsol=
=C3=AAncia administrativos e
descasamento do tratamento na rede p=C3=BAblica e privada de sa=C3=BAdes, t=
razendo
desrespeito ao direito fundamental =C3=A0 sa=C3=BAde. (Brasil, 2025b,
p. 20)
=
No mesmo
sentido, a situa=C3=A7=C3=A3o do medicamento sob exame apresenta bases sufi=
cientes para a
revis=C3=A3o, pois a decis=C3=A3o exarada no Relat=C3=B3rio n=C2=BA 419/201=
8, de n=C3=A3o recomenda=C3=A7=C3=A3o,
indica que a ag=C3=AAncia brasileira deixou de acompanhar os avan=C3=A7os d=
as diversas
ag=C3=AAncias cong=C3=AAneres. Ademais, cabe a reflex=C3=A3o sobre se a pos=
i=C3=A7=C3=A3o do Estado
brasileiro =C3=A9 ainda razo=C3=A1vel, sustent=C3=A1vel e aceit=C3=A1vel ao=
negligenciar a revis=C3=A3o
do relat=C3=B3rio emitido em 2018, frente aos fundamentos e =C3=A0s estrat=
=C3=A9gicas
adotadas, que levaram v=C3=A1rias ag=C3=AAncias estrangeiras a recomendarem=
a concess=C3=A3o.
Por fim, cumpre lembrar que = a Portaria n=C2=BA 86, de 24 de dezembro = de 2018, que tornou p=C3=BAblica a decis=C3=A3o de n=C3=A3o incorporar o OFEV (Nintedanibe) para o tratamento da FPI no =C3=A2mbito do Sistema =C3=9Anico de Sa=C3=BAde= =E2=80=93 SUS, no seu artigo 3=C2=BA disp=C3=B5e que: =E2=80=9CA mat=C3=A9ria poder=C3=A1 ser sub= metida a novo processo de avalia=C3=A7=C3=A3o pela CONITEC caso sejam apresentados fatos novos que po= ssam alterar o resultado da an=C3=A1lise efetuada=E2=80=9D (Brasil, 2= 018c).
CONSIDERA=C3=87=C3=95ES FINAIS
O pr=C3=B3p=
rio
Relat=C3=B3rio n=C2=BA 419/2018 informa que n=C3=A3o existe medicamento vol=
tado ao tratamento
da FPI incorporado =C3=A0 lista do RENAME. Assim sendo, n=C3=A3o restam d=
=C3=BAvidas de que
esses pacientes est=C3=A3o exclu=C3=ADdos do Sistema =C3=9Anico de Sa=C3=BA=
de (SUS).
A pesquisa
mostrou que, entre 2015, 2016 e 2017, o medicamento em quest=C3=A3o j=C3=A1=
havia sido
recomendado por diversas Ag=C3=AAncias de Tecnologia em Sa=C3=BAde no estra=
ngeiro, e,
desde ent=C3=A3o, o oferecimento do tratamento vem sendo ampliado, seja para
alcan=C3=A7ar outras faixas de portadores da doen=C3=A7a em quest=C3=A3o, a=
exemplo do Reino
Unido e da Esc=C3=B3cia em 2023, seja para englobar, entre 2021 e 2022, out=
ras
doen=C3=A7as pulmonares.
Entretanto,=
no
Brasil, desde a elabora=C3=A7=C3=A3o do primeiro Relat=C3=B3rio em 2018, n=
=C3=A3o houve a revis=C3=A3o
do processo de incorpora=C3=A7=C3=A3o do medicamento OFEV (Nintedabine).=C2=A0 Por isso verifica-se que o Estado =
brasileiro
n=C3=A3o acompanhou a din=C3=A2mica de expans=C3=A3o das recomenda=C3=A7=C3=
=B5es ocorridas em v=C3=A1rios
pa=C3=ADses, inclusive naqueles que s=C3=A3o utilizados como refer=C3=AAnci=
a para fundamentar
diversos relat=C3=B3rios.
Como result=
ado,
verifica-se que, uma vez preenchidos os demais requisitos, existem fundamen=
tos
suficientes para o fornecimento judicial de medicamento no caso em quest=C3=
=A3o, =C3=A0
luz da decis=C3=A3o do Supremo Tribunal Federal, devido =C3=A0 omiss=C3=A3o=
da ag=C3=AAncia
respons=C3=A1vel, que adota uma postura est=C3=A1tica, mesmo diante da posi=
=C3=A7=C3=A3o contr=C3=A1ria
do Estado Brasileiro frente =C3=A0s diversas Ag=C3=AAncias de Tecnologia em=
Sa=C3=BAde
estrangeiras.
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as, aprova as Diretrizes
para Aten=C3=A7=C3=A3o Integral =C3=A0s Pessoas com Doen=C3=A7as Raras no =
=C3=A2mbito do Sistema =C3=9Anico
de Sa=C3=BAde (SUS) e institui incentivos financeiros de custeio. Di=C3=
=A1rio Oficial
da Uni=C3=A3o: se=C3=A7=C3=A3o 1, Bras=C3=ADlia, DF, n. 22, p. 44-54, 3=
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Apela=C3=A7=C3=A3o/Remessa Necess=C3=
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BRASIL. Tribunal Regional Federal da 4=C2=
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(12=C2=AA Turma). A=C3=A7=C3=A3o C=C3=ADvel=
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026;
BRASIL. Tribunal
Regional Federal da 4=C2=AA Regi=C3=A3o (11=C2=AA
Turma). A=C3=A7=C3=A3o C=C3=ADvel =
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style=3D'font-size:10.0pt'> (4=C2=AA Turma). Apela=C3=A7=C3=A3o/Remessa
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=C2=A0 Direito
em Movimento, ISSN: 2238-7110, Rio de Janeiro, v. 24, =
e705,
p. 1-22, 2026.=C2=A0=C2=A0=C2=A0=C2=A0=C2=
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DOI: 10.70622/2238-7110.2026.705 |
Submiss=C3=A3o em: 04/03/2026 | Apr=
ova=C3=A7=C3=A3o
em: 04/09/2026
Editora: Cristina Tereza Gaulia